Produtos bancários mais comercializados no mercado financeiro

O mercado financeiro oferece uma grande variedade de produtos bancários, e é essencial que profissionais da área conheçam de forma profunda todos os produtos para melhor atender seus clientes. 

Atualmente os produtos bancários mais comercializados são os relacionados às linhas de crédito para pessoa física: CDC, crédito pessoal e crédito consignado, e linha de crédito para empresas: capital de giro. Outros produtos como seguro de vida, título de capitalização e previdência privada também fazem parte da lista de produtos bancários mais comercializados. 

Linhas de Crédito

As linhas de crédito são extremamente importantes para o funcionamento do mercado financeiro, tanto para pessoas físicas quanto para empresas. Elas proporcionam acesso a capital quando necessário, permitindo que as pessoas alcancem seus objetivos financeiros ou que as empresas mantenham suas operações em andamento.

CDC (Crédito Direto ao Consumidor)

O CDC, sigla utilizada para crédito direto ao consumidor, é uma modalidade de empréstimo que permite a compra de bens de consumo duráveis, sendo muito comum nas instituições de crédito, lojas e bancos. 

As características de contração do CDC como valor e taxa de juros, dependem de fatores como a renda do solicitante, situação financeira, quantidade de bens em nome próprio, finalidade do crédito e demais fatores relacionados. 

É importante entender que, além das taxas de juros, os contratos podem incluir outras despesas, como seguro e taxas administrativas, por isso avaliar o CET (custo efetivo total) da operação é essencial, bem como analisar de forma criteriosa os termos contratuais para evitar surpresas desagradáveis.

Nas instituições financeiras a modalidade de CDC mais comercializada é para a compra de veículos como motos e carros, nesse caso, o bem adquirido pelo cliente é deixado em garantia na operação, reduzindo o risco para a instituição e consequentemente gerando uma operação de crédito mais barata para o consumidor.

Esse modelo de crédito permite alavancar os negócios e fidelizar o cliente, no entanto, os riscos são parte inerente do mercado de crédito e é algo que as instituições financeiras sempre estão tentando mitigar.

Crédito Pessoal

Diferente do CDC, a modalidade de empréstimo de crédito pessoal oferece mais flexibilidade ao cliente, permitindo que os consumidores obtenham recursos para diversas finalidades, desde cobrir emergências até realizar projetos pessoais. 

Em contrapartida, suas taxas de juros costumam ser mais elevadas do que em outras modalidades de crédito, principalmente porque a garantia não é obrigatória como em CDC de veículos, por exemplo, tornando-o mais caro a longo prazo. 

Como em qualquer modalidade de concessão de crédito, em troca desse serviço, a instituição financeira cobra juros mensais, que variam de acordo com a negociação do contrato de crédito e a política da instituição. Outros detalhes podem interferir nesse valor, como a análise de crédito do cliente e o montante emprestado. Tudo isso pode gerar um reajuste na taxa como forma de evitar a probabilidade de inadimplência.

Assim como no CDC, nessa modalidade de crédito, quando o cliente opta por liquidar de forma antecipada o seu contrato, poderá contar com desconto nas parcelas antecipadas.

Crédito Consignado

Outra modalidade de crédito oferecida pelas instituições financeiras é o crédito consignado, que tem como uma de suas principais características as taxas de juros mais baixas.

A redução na taxa de juros é por conta do formato de garantia da operação, já que o crédito consignado é uma operação de crédito vinculada à folha de pagamento ou benefício da pessoa física. 

O empréstimo consignado funciona de forma simples: as parcelas são descontadas diretamente do salário, holerite, benefício ou da aposentadoria, dessa forma, parte da renda fica comprometida antes mesmo de o dinheiro chegar à conta da pessoa, o que requer um bom planejamento financeiro. 

É pelo formato que as parcelas são descontadas, que essa modalidade de crédito não pode ser contratada por qualquer pessoa, apenas os seguintes grupos: trabalhadores com carteira assinada de empresas privadas; servidores públicos (ativos, inativos e pensionistas); militares das Forças Armadas (ativos, inativos e pensionistas); aposentados e pensionistas do INSS; beneficiários do Programa Auxílio Brasil; beneficiários do Benefício de Prestação Continuada (BPC).

Podemos citar como vantagens dos empréstimos consignados taxas de juros menores, por conta da segurança que os bancos têm em receber o valor emprestado, facilidade de contratação por parte da pessoa física, e a possibilidade de prazos mais longos para o pagamento do crédito, podendo chegar em até 120 meses. 

Em contrapartida existem alguns cuidados que devem ser tomados pelo contratante, como o risco de perder o emprego e precisar quitar o empréstimo consignado, além da impossibilidade de adiar os pagamentos ou dificuldade em renegociar a dívida.

Por isso, para garantir o uso responsável dessa modalidade de crédito, a renda comprometida com as parcelas não deve ultrapassar 35% do valor total da renda.

Capital de Giro para empresas

O capital de giro é a espinha dorsal de qualquer negócio, toda empresa deve ter uma quantia de dinheiro reservada para sua manutenção, essa quantia é chamada de capital de giro. Seja para pagar contas, inovar o maquinário ou simplesmente para ser aberta e ter uma reserva financeira. 

É com o recurso do capital de giro que as empresas podem garantir sua saúde financeira para financiar os clientes nos casos das vendas à prazo, manutenção do estoque, garantir o pagamento aos fornecedores e garantir o pagamento dos impostos e demais custos e despesas operacionais da operação. 

O capital de giro pode ser financiado por meio de empréstimos bancários ou linhas de crédito específicas para empresas. Cada contrato de capital de giro é diferente, podendo variar de acordo com a saúde financeira da empresa, faturamento, prazo de pagamento e valor contratado.

Seguro de Vida

Um seguro é um contrato feito entre uma pessoa física ou jurídica e uma empresa seguradora. Esse contrato estabelece que, caso algo previsto em contrato aconteça, o segurado tem direito a receber uma indenização. 

Podemos resumir da seguinte forma: se algum dos riscos contra os quais a pessoa segurada possui uma cobertura acontecer, o seguro é acionado e quem contratou recebe uma indenização.

O seguro de vida é uma proteção financeira que garante dois pontos importantes: planejamento financeiro em vida e sucessão.

Assim sendo, o seguro de vida possibilita que caso ocorra um sinistro coberto pelo seguro contratado (doença ou invalidez total ou parcial), este tem a garantia de receber o que chamamos de capital segurado, fazendo com que seja possível um planejamento financeiro em vida para esses casos.

Importante lembrar que o capital segurado deve estar registrado na apólice, o documento que formaliza a contratação do seguro e tudo que o envolve, bem como o prêmio do seguro (valor pago para contratação). 

Além disso, é a forma mais conhecida dos seguros, é em caso de morte, em que quando o segurado vem a falecer, seus beneficiários recebem esse capital, fazendo com que seja possível realizar um planejamento sucessório para seus beneficiários.

Em ambos os casos, o valor recebido seja pelo segurado ou por seus beneficiários, não possui tributação, fazendo com que esse planejamento também seja uma forma de elisão fiscal. 

Podemos separar os seguros em dois grandes grupos, os seguros de vida temporários e os permanentes. 

Seguro de Vida Temporário: Oferece cobertura por um período específico, com prêmios geralmente mais acessíveis em comparação com o seguro permanente. É uma escolha sensata para pessoas que desejam proteger a família durante um período de alta dependência financeira, como enquanto os filhos ainda estão estudando.

Seguro de Vida Permanente: Oferece cobertura vitalícia e inclui um componente de investimento. Parte do prêmio (valor pago para contratar o seguro) é investida, acumulando valor ao longo do tempo. É uma escolha atraente para quem busca uma proteção de longo prazo e benefícios fiscais. No entanto, os prêmios são geralmente mais elevados em comparação com o seguro temporário.

Título de Capitalização

Os títulos de capitalização são aplicações programadas durante um prazo estabelecido, o proprietário do título tem o direito de concorrer a sorteios de prêmios em dinheiro e as características do título de capitalização podem variar em relação ao prazo, rentabilidade, sorteio e periodicidade da aplicação. Normalmente a sua rentabilidade costuma estar associada à Taxa Referencial.

Esse produto é considerado um seguro e é regularizado pela Susep (Superintendência de Seguros Privados). Porém são os bancos que fazem toda a divulgação e distribuição dos títulos de capitalização.

Normalmente a capitalização é uma forma de o titular se obrigar a guardar um valor mensal, periódico ou único, mas não deve ser comparado com um investimento, já que nesse valor (mensal, periódico ou único), são descontados o custeio do prêmio anunciado e também as despesas administrativas envolvidas nesse produto.

Além disso, o valor resgatado no vencimento da capitalização normalmente não garante nem mesmo a correção pela inflação, existindo a possibilidade de o titular resgatar o mesmo valor nominal que alocou no título. 

Previdência Privada

A previdência privada é um veículo de investimento utilizado para planejamento de aposentadoria, benefício fiscal, planejamento sucessório ou até mesmo como uma modalidade de investimento a longo prazo.

Muitos investidores acreditam que a previdência privada só é útil quando utilizada para transformar em renda na aposentadoria, mas engana-se quem pensa que é somente para esse fim que ela serve. 

Primeiro ponto que devemos entender é que a previdência privada nada mais é que um fundo de investimento com características únicas, possuindo dois formatos de planos: PGBL e VGBL.

PGBL (Plano Gerador de Benefício Livre)

O PGBL, Plano Gerador de Benefício Livre, é um tipo de Previdência Privada oferecido por instituições financeiras e seguradoras. Ele se destaca por oferecer benefícios fiscais aos investidores, especialmente àqueles que declaram o Imposto de Renda pelo modelo completo.

Diferentemente do VGBL (Vida Gerador de Benefício Livre), outro tipo de Previdência Privada, no PGBL, as contribuições feitas pelos investidores são dedutíveis do Imposto de Renda até um limite de 12% da renda bruta tributável anual. Isso significa que o valor investido no PGBL pode ser subtraído da base de cálculo do Imposto de Renda, reduzindo o valor a ser pago ao governo.

Como o investidor teve um benefício fiscal durante a fase de contribuição, no momento do resgate da previdência privada, a alíquota de imposto de renda irá incidir sobre o volume total investido, não apenas sobre a rentabilidade como ocorre na maioria dos investimentos. 

VGBL (Vida Gerador de Benefício Livre)

O VGBL é mais adequado para quem faz a declaração simplificada do Imposto de Renda ou atingiu o limite de 12% da renda bruta tributável de dedução com o PGBL. Nesse caso, as contribuições não são dedutíveis do imposto.

Diferente do PGBL, no momento do resgate a alíquota de imposto de renda devida incidirá apenas sobre o rendimento e não sobre o volume total aplicado. 

Como mencionado anteriormente a previdência privada possui características únicas, sendo uma delas a opção de escolha do regime de tributação, entre progressivo e regressivo.

A tributação progressiva na previdência privada segue o mesmo princípio utilizado no imposto de renda. Isso significa que quanto mais você ganha, maior a alíquota de imposto que pagará sobre os rendimentos do seu plano de previdência privada. 

No momento do resgate será cobrado 15%, e esse valor resgatado será considerado uma renda na declaração anual de ajuste de imposto de renda, podendo variar de 0% a 27,5% de acordo com a renda do titular.

A alíquota progressiva é recomendada para quem possui baixa renda tributável na aposentadoria, já que as alíquotas de imposto sobre os rendimentos são mais baixas.

A tributação regressiva é um regime que beneficia especialmente aqueles que planejam manter o dinheiro aplicado na Previdência Privada por um longo período, já que a alíquota como o nome sugere regride quanto maior o prazo aplicado. Iniciando em 35% e reduzindo 5% a cada 2 anos, chegando a alíquota mínima de 10% após 10 anos. 

Como benefício da previdência privada podemos citar a possibilidade de portabilidade entre fundos sem efetuar o resgate do valor investido, além da possibilidade de escolher os beneficiários em vida, e o valor da previdência não entrar no cálculo do inventário, em caso de falecimento do titular.

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