Marcação a mercado: o que muda

Mudanças nas regras de marcação a mercado abrangem vários títulos de renda fixa a partir do início de 2023.

Mudanças nas regras de marcação a mercado abrangem vários títulos de renda fixa a partir do início de 2023. Por determinação da ANBIMA, bancos e corretoras de investimentos passam a ser obrigados a marcar a mercado também os CRIs e CRAs, as debêntures e os títulos públicos que foram adquiridos via tesouraria de bancos e corretoras de investimentos.

Mas afinal, o que isso significa e de que forma pode afetar os seus investimentos?

O que é marcação a mercado?

É uma atualização de preços que ocorre todos os dias nas cotas de fundos de investimentos, em ativos negociados na Bolsa e em títulos de renda fixa.

Por isso, quem investe nesses papéis precisa estar atento a tais oscilações de preços, que podem ocorrer tanto para cima quanto para baixo.

Ué…. a renda fixa não é sempre fixa??

A resposta é “sim” e “não”, e um exemplo ajuda a entender por que é necessário fazer essa atualização de preços.

Como funciona a marcação a mercado?

Essa marcação precifica diariamente um investimento de acordo com as atuais condições do mercado, independentemente do valor que foi pago pelo título originalmente.

É um meio de passar mais transparência e evitar surpresa pro cliente se ele quiser vender o título antes do vencimento.

Ele realmente vai saber quanto o título vale no mercado diariamente.

Vamos a um exemplo de um Título Público Federal:

Imagine que, na data de hoje, você tenha investido em um título do Tesouro Prefixado com vencimento em 2025, que paga 14% ao ano.

Agora suponha que, daqui a 1 ano, a Taxa Selic suba.

Se isso acontecer, o investidor que adquirir um título igual ao seu (Tesouro Prefixado com vencimento em 2025) certamente conseguirá juros superiores aos 14% ao ano que você obteve.

Em outras palavras, o seu título estará menos atrativo se comparado aos que o mercado lançará no futuro, em um cenário de Selic mais alta. E, portanto, valerá menos se for marcado a mercado.

Esse é um exemplo simples de como a marcação a mercado afeta o valor atual dos títulos de renda fixa.

O fato de o seu título ter sofrido marcação a mercado para baixo não significa que você perderá o rendimento que contratou no início da aplicação. Você só correrá esse risco se vender o papel antes do vencimento. Caso decida resgatá-lo antes de 2025, precisará recorrer ao mercado secundário de renda fixa, ou seja, a outro investidor que queira comprá-lo de você.

E se os juros estiverem mesmo mais altos, há grandes chances de que a sua rentabilidade original seja sacrificada.

Lembrando que o oposto também pode acontecer na marcação a mercado.

Ou seja, se o governo reduzir os juros, os títulos que foram prefixados quando a Selic estava alta levam vantagem sobre os novos, pois foi garantida uma taxa maior para o período da aplicação.

O que muda para o investidor com a nova marcação a mercado da renda fixa?

A partir de 2 de janeiro, a regra de atualização diária dos preços, que já vale hoje para o Tesouro Direto, passará a valer também para CRIs, CRAs, debêntures e títulos públicos adquiridos via tesouraria.

A nova norma não vale para os Certificados de Depósitos Bancários (CDBs) e para as Letras de Crédito Imobiliário e do Agronegócio (LCIs e LCAs).

As novas regras da Anbima alcançarão os investidores pessoas físicas e jurídicas, sendo que, para empresas de médio e grande porte e para investidores qualificados (que possuem recursos acima de R$ 1 milhão investidos), não haverá a obrigatoriedade de marcação a mercado para esses títulos.

Benefícios para o mercado secundário

Especialistas acreditam que a melhor visibilidade dos rendimentos poderá favorecer as negociações desses títulos no mercado secundário. Isso porque o investidor conseguirá enxergar de forma mais clara se ele poderá ganhar com o resgate antecipado ou se é mais vantajoso manter o título até o vencimento.

Obs: quando falamos em mercado secundário, estamos nos referindo às negociações de ativos financeiros que ocorrem diretamente entre os investidores, sem a participação do emissor do título.

Atualmente, títulos como CRIs e CRAs possuem liquidez bem inferior a outras modalidades de renda fixa, pois são menos negociados. Porém, espera-se que a nova marcação a mercado impulsione as negociações desses ativos, já que a sua rentabilidade ficará mais clara para o investidor todos os meses. Isso é importante para evitar que, por falta de preços de referência, as pessoas sacrifiquem seus ganhos vendendo seus títulos a valores menos favoráveis.

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