Os derivativos podem ser divididos em três categorias principais: futuros, opções e swaps. Cada um deles tem suas características próprias e podem ser usados para diferentes objetivos, por investidores pequenos, institucionais, pessoas físicas ou jurídicas.
Futuros
Os contratos futuros são acordos entre duas partes para comprar ou vender um ativo em uma data futura específica, a um preço acordado previamente, daí o nome “futuro”.
O preço do contrato é estabelecido no momento da negociação e é baseado na expectativa de preço desse determinado ativo na data de vencimento do contrato. Os contratos futuros são negociados em bolsas de valores e geralmente exigem o depósito de margem como garantia, sendo a B3 a contraparte central.
Os contratos futuros são muito utilizados principalmente por produtores e comerciantes de commodities, como grãos, petróleo e metais, para se protegerem contra as flutuações de preço desses ativos, uma vez que travam a variação do preço desse ativo no momento do contrato. Além disso, os investidores também podem usar os contratos futuros para especular sobre o movimento dos preços desses ativos, apostando na sua queda ou na sua alta.
Quando um investidor compra um contrato futuro, ele está concordando em comprar o determinado ativo na data de vencimento pelo preço determinado no momento da negociação. Da mesma forma, quando um investidor vende um contrato futuro, ele está concordando em vender aquele ativo na data de vencimento pelo preço determinado no momento da negociação.
Diferente dos contratos a termo, os contratos futuros são padronizados em tamanho, data de vencimento e ativo de referência. Por exemplo, um contrato futuro de milho negociado na B3 representa 450 sacas de milho de 60 kg cada e vence na terceira quarta-feira do mês de vencimento.
Para cada contrato de mercado futuro é definido:
- Um ativo objeto, que pode ser: Ação, Índice, Moeda, Commodity, Taxa de juros ou Inflação;
- O tamanho desse contrato, ou seja, quantos reais ou dólares esse contrato vale por pontos;
- A variação mínima do contrato, que pode ser em centavos ou pontos;
- O lote padrão do contrato, que é a quantidade mínima negociável de contratos em cada lote;
- O vencimento que é a data em que o contrato deixará de existir;
- Tipo de liquidação que pode ser financeira ou física, sendo a financeira mais comum.
Além disso, os contratos futuros podem ser encerrados a qualquer momento, mesmo sendo antes da data do seu vencimento, porque possuem ajuste diário no seu preço. Por serem contratos padronizados e possuírem essa flexibilidade de encerramento a qualquer momento, os futuros podem ser utilizados tanto para o giro e especulação no curtíssimo prazo, quanto para a proteção dos negócios de empresas.
Existem ainda os contratos mini e micro, onde os lotes de negociação são menores do que o lote padrão, facilitando o acesso dos pequenos investidores a esse tipo de investimento.
Os contratos futuros são instrumentos alavancados, o que significa que o investidor não precisa pagar o valor total do contrato no momento da negociação. Em vez disso, o investidor precisa depositar uma margem de garantia, que é uma porcentagem do valor total do contrato.
A margem de garantia é usada para cobrir as perdas potenciais do investidor durante a negociação do contrato, uma vez que este possui ajuste diário.
Quando o valor do ajuste do dia é maior do que o preço de abertura da posição ou maior do que o ajuste do dia anterior, quem está posicionado como comprador recebe o dinheiro correspondente ao lucro da sua posição, e quem está posicionado como vendedor paga o valor correspondente ao prejuízo da sua posição. Assim, se as perdas excederem a margem de garantia, o investidor pode ser obrigado a depositar mais dinheiro para manter a posição aberta.
Taxas cobradas pela corretora
Para operar no mercado futuro na bolsa de valores, é necessário abrir uma conta em uma corretora e pagar algumas taxas, que podem variar de acordo com a corretora escolhida. Algumas das principais taxas são:
- Corretagem: é a taxa cobrada pela corretora pela intermediação da operação. Pode ser um valor fixo por contrato futuro ou um percentual sobre o valor negociado.
- Emolumentos: são as taxas cobradas pela bolsa de valores pela negociação do contrato futuro. Incluem taxas de registro, liquidação, negociação e fiscalização.
- Custódia: é a taxa cobrada pela corretora pela guarda dos contratos futuros em nome do investidor. Essa taxa normalmente não é cobrada pelas corretoras.
Impostos sobre os ganhos obtidos
Os ganhos obtidos em operações no mercado futuro na bolsa de valores estão sujeitos a impostos. As alíquotas e os tipos de impostos podem variar de acordo com o tipo de investimento realizado:
- Alíquota de 15% sobre o lucro da operação ou 20% sobre o lucro da operação caso o contrato tenha sido realizado no mesmo dia (day trade)
Opções
As opções são contratos que dão ao comprador o direito, mas não a obrigação, de comprar ou vender um ativo objeto a um preço pré-determinado em uma data específica.
O comprador da opção paga um prêmio por essa opção, que é o preço da proteção contra flutuações de preço.
Desse modo, se o preço do ativo objeto se mover a seu favor, o comprador pode exercer a opção e obter um lucro. Se o preço se mover contra ele, o comprador pode optar por não exercer a opção e perder apenas aquele valor pago do prêmio.
As opções são muito utilizadas para proteção contra riscos de queda nos preços de ações, índices de mercado e moedas. Os investidores também podem usar as opções para especular sobre o movimento dos preços desses ativos ou potencializar seus ganhos em caso de alta dos ativos.
No mercado de opções, existem algumas nomenclaturas específicas que os investidores precisam conhecer. Algumas das mais importantes são:
- Prêmio: é o valor pago pelo comprador da opção ao vendedor para ter o direito de comprar ou vender algum ativo a um preço determinado em uma data futura. O prêmio é determinado pela oferta e demanda no mercado de opções, e é influenciado por fatores como o preço atual do ativo objeto, o tempo até a data de vencimento da opção, a volatilidade do mercado, entre outros.
- Preço de exercício: é o preço pelo qual o comprador da opção pode comprar ou vender aquele determinado ativo no vencimento da opção. Para as opções de compra, o preço de exercício é o preço pelo qual o comprador pode comprar o ativo. Já para as opções de venda, o preço de exercício é o preço pelo qual o comprador pode vender o ativo. O preço de exercício é determinado no momento em que a opção é criada e permanece fixo até o vencimento.
- Data de vencimento: é a data em que a opção expira e o comprador perde o direito de comprar ou vender o ativo. No Brasil, as opções têm vencimento sempre na terceira segunda-feira de cada mês.
- Valor intrínseco: é a diferença entre o preço atual do ativo e o preço de exercício da opção. O valor intrínseco é positivo para as opções que estão no dinheiro, ou seja, que têm um preço de exercício próximo ou igual ao preço atual do ativo. Para as opções que estão fora do dinheiro, o valor intrínseco é zero.
Tipos de opções
Existem dois tipos de opções: as opções de compra (call) e as opções de venda (put), sendo que o investidor pode comprar ou vender uma call, do mesmo modo que pode comprar ou vender uma put.
- Opção de compra (call)
Quando o investidor opta por comprar uma opção de compra (call), o comprador tem o direito de comprar o ativo objeto a um preço determinado na data de vencimento do contrato, dessa forma o investidor trava o preço do ativo no momento da compra da call.
Ao comprar uma opção de compra, o investidor acredita que o preço do ativo subjacente vai subir no futuro. Isso porque, se o preço subir acima do preço de exercício, o comprador da opção pode comprar o ativo a um preço mais baixo e vendê-lo imediatamente no mercado a um preço mais alto, obtendo assim um lucro. Porém, se o preço do ativo não subir acima do preço de exercício, o comprador da opção pode optar por não exercer a opção de compra e assim perde o valor pago pelo prêmio da opção.
Já ao vender uma opção de compra, o investidor acredita que o preço do ativo vai cair ou permanecer estável no futuro. Isso porque, se o preço do ativo cair ou permanecer abaixo do preço de exercício, o vendedor da opção de compra mantém o prêmio recebido pela venda da opção. Porém, se o preço do ativo subir acima do preço de exercício, o vendedor da opção de compra pode ter que vender o ativo ao comprador da opção a um preço mais baixo do que o preço de mercado, tendo assim um prejuízo.
Existem várias estratégias que podem ser utilizadas com opções de compra para obter lucro ou proteger as posições dos investidores. Alguns exemplos incluem:
- Compra de opções de compra como especulação: nesta estratégia, o investidor compra opções de compra com a expectativa de que o preço do ativo subirá no futuro, permitindo assim a venda do ativo a um preço mais alto.
- Venda coberta de opções de compra: nesta estratégia, o investidor compra o ativo e vende opções de compra para gerar renda adicional. Se o preço do ativo subir acima do preço de exercício, o investidor pode ter que vender o ativo a um preço mais baixo, mas ainda assim terá um lucro total graças ao prêmio recebido pela venda da opção.
- Compra de opções de compra para proteção: nesta estratégia, o investidor compra opções de compra como forma de se proteger contra uma queda no preço do ativo. Se o preço do ativo cair, o investidor perde o valor pago pelo prêmio da opção, mas essa perda é limitada e o investidor não sofre um prejuízo maior.
- Opção de venda (put)
A opção de venda dá ao comprador o direito, mas não a obrigação, de vender um ativo objeto a um preço determinado (preço de exercício) em uma data futura. Já o vendedor da opção de venda assume a obrigação de comprar o ativo subjacente do comprador da opção de venda, caso este exerça seu direito.
Ao comprar uma opção de venda, o investidor acredita que o preço do ativo vai cair no futuro. Isso porque, se o preço cair abaixo do preço de exercício, o comprador da opção pode vender o ativo a um preço mais alto do que o preço de mercado, obtendo assim um lucro. Porém, se o preço do ativo não cair abaixo do preço de exercício, o comprador da opção perde o valor pago pelo prêmio da opção.
Já ao vender uma opção de venda, o investidor acredita que o preço do ativo subjacente vai subir ou permanecer estável no futuro. Isso porque, se o preço do ativo subir ou permanecer acima do preço de exercício, o vendedor da opção de venda mantém o prêmio recebido pela venda da opção. Porém, se o preço do ativo cair abaixo do preço de exercício, o vendedor da opção de venda pode ter que comprar o ativo do comprador da opção a um preço mais alto do que o preço de mercado, tendo assim um prejuízo.
Assim como com as opções de compra (call), existem diversas estratégias que podem ser utilizadas com as opções de venda (put) para obter lucro ou proteger as posições dos investidores. Algumas delas são:
- Compra de opções de venda como especulação: nesta estratégia, o investidor compra opções de venda com a expectativa de que o preço do ativo cairá no futuro, permitindo assim a venda do ativo a um preço mais alto.
- Venda coberta de opções de venda: nesta estratégia, o investidor vende opções de venda de ativos que já possui, a fim de gerar renda adicional. Se o preço do ativo cair abaixo do preço de exercício, o investidor terá que comprar o ativo a um preço mais alto, mas ainda assim terá um lucro total graças ao prêmio recebido pela venda da opção.
- Compra de opções de venda para proteção: nesta estratégia, o investidor compra opções de venda como forma de se proteger contra uma alta no preço do ativo. Se o preço do ativo subir, o investidor perde o valor pago pelo prêmio da opção, mas essa perda é limitada e o investidor não sofre um prejuízo maior.
Imposto de renda
As opções são tributadas pelo Imposto de Renda (IR) quando ocorre a sua liquidação, seja por exercício, cessão ou vencimento. A alíquota do IR para opções é de 15% sobre o ganho líquido, que é a diferença positiva entre o preço de venda e o preço de compra da opção, acrescido dos custos e despesas operacionais. Nas operações de day trade a alíquota é de 20% (operações encerradas no mesmo dia).
A apuração do IR é feita de forma separada para cada série de opções, considerando-se o resultado acumulado das operações realizadas em cada série ao longo do período de apuração. Caso a opção tenha sido adquirida em diferentes períodos ou exercida em diferentes datas, o ganho líquido deve ser calculado separadamente para cada operação e, em seguida, somado para fins de apuração do imposto.
Vale lembrar que os prejuízos apurados em operações com opções podem ser compensados com os ganhos obtidos em operações comuns (ações, etc.), desde que sejam da mesma espécie e realizados dentro do mesmo mês. Caso não haja ganho em outros tipos de operações, o prejuízo pode ser carregado para os meses seguintes, sendo compensado somente com ganhos da mesma espécie.
Swaps
Os swaps são contratos entre duas partes para trocar fluxos de caixa futuros, esse tipo de contrato consiste nessa troca de fluxos de caixa futuros com base em um determinado ativo, como taxas de juros, moedas, commodities ou índices de ações. Dessa forma, o investidor assume as duas posições: comprada em um indexador e vendida em outro.
Esse tipo de contrato é muito utilizado para gerenciar riscos de fluxo de caixa e exposição a taxas de juros e moedas, por isso é muito conhecido como contrato de hedge.
No caso dos swaps de taxas de juros, por exemplo, uma das partes concorda em pagar uma taxa fixa de juros, enquanto a outra parte concorda em pagar uma taxa variável, baseada em uma taxa de referência, como a taxa Selic no Brasil ou a Libor no exterior. O objetivo é que a parte que paga a taxa variável possa se beneficiar caso a taxa de referência diminua, enquanto a parte que paga a taxa fixa possa se beneficiar caso a taxa de referência aumente.
Os swaps podem ser negociados no mercado de balcão (over the counter) ou em bolsas de valores. No mercado de balcão, as negociações são realizadas diretamente entre as partes envolvidas, o que pode gerar mais flexibilidade na negociação. Já nas bolsas de valores, os contratos de swap são padronizados e negociados em lotes-padrão, o que garante mais transparência e segurança na negociação.
Os contratos de swap são negociados em lotes-padrão, que determinam a quantidade mínima de ativos objetos envolvidos na negociação. Cada lote-padrão tem um valor nominal, que é multiplicado pelo preço negociado para determinar o valor total da operação.
Os derivativos podem oferecer aos investidores uma série de vantagens, como a possibilidade de se proteger contra flutuações de preço, obter alavancagem e diversificar sua carteira. No entanto, eles também envolvem riscos significativos.
Por isso os investidores em derivativos devem estar cientes dos riscos envolvidos e da complexidade desses produtos, além é claro, de terem um bom gerenciamento de riscos para investir.
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