ETFs lançados pela Nubank: NDIV11 e NSDV11

A Nubank lançou o primeiro ETF que distribui dividendos mensais do Brasil, além do lançamento de um novo índice na B3.

O que são ETFs

ETF é a sigla em inglês utilizada para o termo Exchanged Traded Fund, na tradução, fundo negociado em bolsa. Esse tipo de fundo de investimento tem como objetivo seguir algum índice de referência

Esse tipo de fundo de investimento é amplamente negociado em outros países, principalmente nos Estados Unidos. Inclusive o volume investido em ETFs nos Estados Unidos cresceu 20% ao ano nos últimos 20 anos, sendo que 12% das famílias norte-americanas possuem algum ETF em suas carteiras. 

No Brasil essa modalidade de investimento é mais recente, sendo lançado apenas em 2004, e por essa razão não possuindo tanta diversificação nas opções quanto em outros países. 

O mercado de ETFs é tão recente no Brasil que apenas nesse ano (2023) foi autorizado a criação de fundos de índices que distribuem dividendos aos acionistas, sendo essa prática há muito tempo comum nos Estados Unidos.

Foi pensando nessa possibilidade que a Nubank criou dois ETFs com foco em dividendos: NDIV11 e NSDV11. Mas para que a criação desses fundos de índice fosse possível, em parceria com a B3 a Nubank criou um novo índice na bolsa de valores brasileira, o índice Bovespa Smart Dividendos B3. 

Índice Bovespa Smart Dividendos B3

Lançado recentemente o Índice Bovespa Smart Dividendos B3 tem em sua composição 25% das empresas com maior liquidez e maior dividend yield do índice Bovespa. Sendo que o percentual de dividend yield passa por um processo de média ponderada gerando pontuação de pagamento de dividendos. 

Com esse cálculo e sistema de pontuação, recebem mais pontos as empresas com maiores pagamentos de dividendos, maior constância e recorrência na periodicidade de pagamento e nos valores distribuídos. Dessa forma são excluídas empresas que pagaram dividendos extraordinários, levando o dividend yield para cima sem ter recorrência e constância. Além disso, cada empresa não pode ter mais que 20% de peso no novo índice. 

A carteira teórica formada possui 21 empresas, com peso médio de 4% cada empresa, sofrendo balanceamento a cada 4 meses. 

Algumas empresas compõem o novo índice e possuem o maior peso na carteira teórica: Taesa, Telefônica Brasil, BB Seguridade, Santander, Engie, Itaúsa e Banco do Brasil. 

Em relação aos setores da carteira teórica o setor com maior peso é o setor financeiro com 26,2% de peso, seguido pelo setor de serviços e utilidade pública com 26,2% também, materiais básicos com 25,9% de peso, consumo discricionário com 8,8% de peso, comunicações com 5,8%, energia com 4,2% e bens de consumo com 2,8%.

A termos de comparação a Nubank realizou um teste entre o novo índice Bovespa Smart Dividendos B3 e o Ibovespa nos últimos 10 anos, de 2013 a 2023 teríamos tido um retorno de 142% versus 87% do Ibovespa, apresentando uma melhor performance com volatilidade semelhante. 

Novos ETFs: NDIV11 e NSDV11

O ETF NDIV11 (Nu Renda Ibov Smart Dividendos) e o ETF NSDV11 (Nu Ibov Smart Dividendos) são dois ETFs que seguem o índice de referência Ibovespa Smart Dividendos B3 (IBDV). Ambos os fundos são geridos pela Nu Asset Management, a gestora de fundos de investimentos da Nubank. 

Porém a diferença entre os ETFs está na distribuição de dividendos. Enquanto o ETF NDIV11 distribui os dividendos aos cotistas, o NSDV11 reinveste os dividendos distribuídos pelas empresas que compõem o índice. 

O NDIV11 é o primeiro ETF a distribuir dividendos de forma mensal aos seus cotistas, e é uma boa estratégia para os investidores que tem como foco o recebimento de renda passiva. O problema está em sua tributação, já que os dividendos distribuídos não são isentos de imposto de renda, sofrendo tributação de 15%, diferente do que ocorre hoje com o acionista dessas ações, que recebe os dividendos livres de imposto de renda. 

Por essa razão, a Nubank lançou o NSDV11, que replica o mesmo índice Bovespa Smart Dividendos B3, porém os dividendos distribuídos pelas empresas são reinvestidos de forma automática no próprio fundo, não passando pela tributação de 15%, sendo uma vantagem para os investidores que não buscam renda passiva, e sim acúmulo de patrimônio. 

A cota inicial de ambos os fundos era de R$ 100,00, porém a partir do momento que as negociações começaram, as cotas já apresentaram volatilidade nos preços. 

A taxa de administração de ambos os ETFs é de 0,50% ao ano e a alíquota de imposto de renda é de 15% sobre o ganho de capital independente do prazo da aplicação, lembrando que diferente do que ocorre com a venda de ações, para os ETFs não existe isenção de imposto de renda nas vendas no valor de até R$ 20 mil reais no mês. 

Quem investe em ETFs é responsável por calcular e recolher o Imposto de Renda, emitir e pagar o Darf até o último dia do mês seguinte ao da operação em que teve lucro.

Vale lembrar ainda que há retenção de IR na fonte de 0,005% sobre o valor de venda dos ETFs de renda variável. Ou seja, se o investidor vender R$ 30 mil, R$ 1,50 (0,005% de R$ 30 mil) ficarão retidos, mesmo que o investidor não tenha lucro na operação. Podendo ser utilizado pelo investidor para deduzir do imposto devido sobre ganhos líquidos apurados no mês e para compensar com IR devidos sobre ganhos líquidos apurados em meses subsequentes.

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