Mudança na política de preços Petrobrás (PETR4)

A Petrobrás (PETR4) anunciou o fim da paridade de preços de importação do petróleo e uma nova política de preços para os combustíveis na terça-feira (16). Com isso, a empresa deixará de utilizar o preço do barril de petróleo cotado internacionalmente como referência nas suas operações.

O início de tudo

O petróleo é uma commodity utilizada mundialmente, e vale a pena ressaltar que commodity nada mais é que matéria prima. Normalmente as commodities possuem uma produção em grande escala e podem ser estocadas. Além disso, as commodities são precificadas de acordo com a oferta e demanda. 

Existem diversos tipos de petróleo, e eles se diferenciam principalmente pela sua composição. Os petróleos mais leves, são mais fáceis de serem refinados e são transformados em seus derivados (óleo, gasolina, querosene etc), consequentemente sendo mais vantajosos. Já os petróleos mais pesados, mais barrosos, precisam de um refino mais trabalhoso. 

Por conta desses diversos tipos de petróleo que existem e da sua utilização mundial, o seu preço também é cotado internacionalmente, através do que chamamos de barril de petróleo. 

O Brasil é autossuficiente em petróleo?

É necessário entender que o Brasil pode ser auto suficiente quando o assunto é produção de petróleo, ou seja, a produção de petróleo no Brasil é superior ao seu consumo. Porém não basta que o petróleo seja extraído, ele precisa ser refinado até chegar em seus derivados

É aí que não possuímos auto suficiência e precisamos importar parte dos derivados e como consequência, exportar petróleo. Um dos motivos dessa importação é pelo fato das nossas refinarias não possuírem tecnologia suficiente para refinar o petróleo que é extraído no país. 

Além disso, diversas etapas e fatores que compõem a cadeia petrolífera dependem da cotação internacional do barril de petróleo. Por essa razão, a Petrobras utilizava como referência, a cotação do barril de petróleo que é utilizado internacionalmente, o Brent. 

Política de paridade internacional

No ano de 2016, durante o mandato de Michel Temer, a Petrobras implementou uma política de preços para combustíveis que buscava alinhar os preços praticados no mercado interno com as cotações internacionais de petróleo e derivados.

Essa política, conhecida como “Preço de Paridade de Importação” (PPI), baseava-se na ideia de que os preços dos combustíveis deveriam acompanhar as variações do mercado internacional, levando em consideração fatores como as cotações do petróleo, o câmbio, os custos de importação, os impostos e as margens de lucro.

A implementação da política de paridade de preços internacionais foi uma tentativa da Petrobras de afastar-se da prática anterior de subsidiar os preços dos combustíveis no mercado interno, o que gerava um déficit significativo e dificultava a capacidade da empresa de investir na produção e na exploração de petróleo.

Durante o governo Dilma Rousseff, a Petrobrás foi utilizada para modificar os preços dos combustíveis e segurar a inflação, porém essa medida com o passar do tempo passa a ser insustentável, pois a empresa começa a dar prejuízos e por ser uma empresa estatal, quem acaba interferindo para honrar com os prejuízos, é o próprio Tesouro Nacional, consequentemente o contribuinte. Nessa época a empresa chegou a valer aproximadamente R$ 4 bilhões de reais, sendo que em 2022 o valor de mercado da companhia estava próximo a R$ 600 bilhões de reais. 

Nova política de preços Petrobrás

A Petrobras comunicou na terça, 16, o encerramento da Política de Paridade Internacional (PPI) de preços do petróleo e derivados. 

A nova política de preços da Petrobrás, chamada de “nova estratégia comercial”, conforme informado pela estatal em um fato relevante, vai utilizar duas referências de mercado: o custo alternativo do cliente, como valor a ser priorizado na precificação, e o valor marginal para a Petrobras. 

Segundo a empresa, o custo alternativo do cliente “engloba as principais opções de suprimento, sejam fornecedores dos mesmos produtos ou produtos substitutos”, enquanto o valor marginal é baseado no “custo de oportunidade considerando as várias alternativas para a empresa, incluindo produção, importação e exportação do produto em questão e/ou dos petróleos utilizados no refino”.

Além disso, conforme divulgado, os reajustes continuarão sendo feitos sem periodicidade definida, evitando a transferência para os preços internos da volatilidade conjuntural das cotações internacionais e da taxa de câmbio.

De acordo com analistas, os agentes de mercado têm muitas dúvidas sobre o funcionamento dessa nova política, já que o petróleo é uma commodity cujo preço varia conforme o mercado internacional. O Brasil compra do exterior 30% do diesel que consome, e um desalinhamento pode desestimular a importação do produto.

Outro ponto que não ficou claro é de que forma e baseado em quê, que esse preço será definido, abrindo brechas para que novamente a Petrobrás seja utilizada para mudança nos preços dos combustíveis de acordo com necessidades políticas e econômicas, como já foi feito.

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