Guia Completo de fundos de investimentos

No mercado financeiro, quando o assunto é investimento, existe uma enorme variedade de produtos disponíveis para os investidores, que podem optar em adquirir por conta própria os ativos de mercado ou podem investir em um fundo de investimento, e delegar a escolha da compra e venda desses ativos a pessoas qualificadas a fazê-lo.

O que são fundos de investimento

Antes de qualquer coisa, é necessário entender que um fundo de investimento é uma espécie de condomínio e cada morador deste condomínio (o investidor), paga um boleto mensalmente e o síndico utiliza os recursos para que seja realizado melhorias no prédio. 

Em um fundo de investimento, não é realizado o pagamento mensal de um boleto como no exemplo, já que os investidores que decidem o valor e a periodicidade que desejam investir neste fundo. Ao investir estão adquirindo um pedaço do fundo, que se chama cota, portanto os investidores são chamados de cotistas. Quanto maior for o valor investido, maior a quantidade de cotas que este investidor terá. A soma desses recursos que são investidos no fundo, formam o que chamamos de patrimônio do fundo de investimento. 

O síndico do exemplo acima, na verdade se chama gestor, e de acordo com a classificação e normas do fundo, o gestor fará a compra e venda de ativos do mercado financeiro, com os recursos que estão ali investidos. 

Conforme os ativos do fundo se valorizam, as cotas aumentam seu preço e o valor que o investidor possui, consequentemente aumenta. 

De forma bastante resumida um fundo de investimento é uma modalidade de aplicação financeira, em que há uma reunião de investidores com objetivos em comum, sendo a gestão e administração do fundo realizadas por pessoas qualificadas e autorizadas pela CVM para tal. 

Agora cabe adentrarmos mais a fundo a respeito das classificações dos fundos, taxas, índices de referência (benchmark) e como escolher bons fundos de investimentos em um mercado com tantas opções. 

Índices de Referência – Benchmark

Normalmente os fundos possuem algum índice que seguem ou tentam superar. No mercado financeiro provavelmente você ouvirá esses índices de referência serem chamados de benchmark. Trazendo para a prática, se um fundo tem como objetivo apenas acompanhar a variação do CDI, o índice de referência (benchmark) é o CDI. Se um fundo possui como objetivo superar o Ibovespa, o índice de referência (benchmark) é o índice Ibovespa. 

O fundo pode possuir como estratégia superar o seu índice de referência, e então será considerado um fundo ativo, ou ter como estratégia apenas seguir o índice de referência, nesse caso o fundo será considerado passivo. Portanto, um fundo que procura superar o Ibovespa, é um fundo que possui como referência o índice Ibovespa e é um fundo ativo

Fundos abertos e fundos fechados 

Os fundos também podem ser organizados sob a forma de condomínio aberto ou fechado. Quando um fundo for aberto, os cotistas podem solicitar o resgate de seus recursos no momento que acharem oportuno. Além disso, os fundos abertos geralmente aceitam aplicações de novos cotistas diariamente. Mas é importante registrar que é possível que este tipo de fundo em algum momento possa fechar para novas aplicações. Isso acontece porque por vezes o gestor só consegue continuar sendo eficiente na sua entrega até determinado valor de patrimônio do fundo. 

Quando um fundo for organizado sob a forma de condomínio fechado, o cotista somente poderá resgatar os recursos que aplicou no fundo, quando este chegar ao seu prazo final. Caso o cotista opte por resgatar antes do final deste prazo, poderá negociar suas cotas no mercado secundário. Isso significa que deverá haver outro investidor disposto a adquirir, do atual cotista, a sua posição no fundo de investimento. 

Existem alguns casos em que o administrador do fundo pode inclusive determinar o fechamento do fundo para novos resgates, mesmo o fundo sendo aberto. Isso pode ocorrer caso o fundo esteja com falta de liquidez dos ativos que possui. 

Classificação dos fundos

Assim como no mercado financeiro que existem diversas regras e normas que devem ser seguidas a fim de evitar conflitos de interesses, fraudes ou prejuízos financeiros aos investidores, existem diversas regras que os fundos de investimentos devem seguir, para propiciar maior segurança e transparência aos seus cotistas. 

A respeito das normas que os fundos devem seguir, é importante mencionar sobre a classificação que os fundos possuem, de acordo com o tipo de ativo que o gestor pode negociar e o objetivo que o fundo pode seguir. As classificações podem ser realizadas de acordo com a ANBIMA ou CVM.

Renda Fixa: O gestor deve alocar no mínimo 80% dos recursos investidos no fundo em ativos de Renda Fixa pré ou pós fixados. O restante do percentual pode ser alocado em derivativos. Nessa classificação de fundos, o patrimônio do fundo é alocado em ativos como CDB, LCI, LCA, Títulos Públicos Federais, Debêntures e outros ativos de renda fixa. Geralmente esses fundos possuem baixa volatilidade, ou seja, pouca oscilação no valor da cota.  

Multimercados: O gestor poderá alocar o patrimônio do fundo em várias classes de ativos, tanto de renda fixa, quanto de renda variável, inclusive em outros países. Aqui é possível ver fundos que poderão comprar ou vender ativos como moedas (real, dólar, peso entre outras), juros no Brasil ou exterior, ativos de renda fixa ou até mesmo ações.  Geralmente possuem uma volatilidade mais alta a depender da estratégia e posicionamento que o fundo possui.

Ações: Os fundos considerados fundos de ações, são aqueles que possuem pelo menos 67% do patrimônio do fundo alocado em ações ou índice de ações. Nesse caso o gestor poderá realizar a compra e venda de ações utilizando diferentes estratégias. O fundo pode ainda manter em sua composição ativos de renda fixa, porém sem esquecer do percentual mínimo que deverá estar alocado em ações ou índices de ações. 

Cambial: Os fundos cambiais são fundos em que o gestor aloca no mínimo 80% do patrimônio investido em moedas internacionais, sendo que as mais comuns são dólar e euro. Geralmente esses fundos tendem a oscilar de acordo com a oscilação da moeda que seguem.  

Fundos Imobiliários: Os fundos imobiliários também conhecidos por FIIs, são fundos que possuem apenas ativos imobiliários em sua composição. Diferente das outras modalidades de fundos, os FIIs possuem suas cotas negociadas na Bolsa de Valores e são fundos fechados. Portanto o investidor que desejar resgatar seus recursos de um FII, deve vender suas cotas na Bolsa, para que outro investidor assuma sua posição no fundo. Aí está a importância de verificar também a quantidade de negociações que um fundo imobiliário possui, antes de realizar o investimento no mesmo. 

Estratégias dos fundos

Além da classificação dos fundos, existem diferentes estratégias que cada fundo poderá seguir. 

É muito comum ouvirmos que um fundo possui estratégia Long Only, mas o que significa esse termo? Sempre que houver a nomenclatura Long, estamos falando de posições em que o gestor realiza a compra de ativos. Quando compramos algum ativo, acreditamos na sua valorização. Portanto, um fundo que utiliza a estratégia Long Only, pode ter apenas posições compradas na sua composição. Esse tipo de estratégia se beneficia no longo prazo ou em cenários de ascensão econômica. 

Outra estratégia muito semelhante é a estratégia Long Biased, porém a diferença é que o gestor não tem a obrigação de permanecer unicamente com posições compradas. Caso ele identifique que algum ativo está supervalorizado ou que o cenário é de queda, ele possui a liberdade de se posicionar de forma vendida, acreditando na queda deste ativo. Assim, este tipo de estratégia se beneficia em cenários mais voláteis, com tendência de ascensão econômica. 

A estratégia conhecida por Long and Short é um pouco mais complexa, porém para simplificar, é bom esclarecer que o termo short significa se posicionar de forma vendida em algum ativo, acreditando na sua queda. Portanto um fundo com estratégia Long and Short pode estar posicionado tanto de forma comprada quanto vendida. Excelente opção em cenários voláteis ou de queda no preço dos ativos.

O que precisa ficar muito claro é que essas estratégias são utilizadas nos fundos de renda variável, portanto são para perfis de investidores que toleram o risco de mercado, a oscilação no preço das suas cotas.

Quais são as taxas e cobranças nos fundos de investimentos

Nos fundos de investimentos existem cobranças aos cotistas, para o pagamento de eventuais despesas e remuneração das pessoas qualificadas que ali fazem o seu trabalho. Essas cobranças são realizadas através de taxas, que tendem a ser maiores ou menores a depender dos objetivos e estratégias do fundo. 

Gosto sempre de fazer a comparação das taxas cobradas nos fundos de investimentos, com o salário dos funcionários de uma empresa. Se você trabalha para alguma empresa, recebe um salário de acordo com as suas qualificações profissionais alinhado às horas trabalhadas no mês. Se atingir as metas, pode receber comissão por esse atingimento dos resultados.

A taxa de administração em um fundo é basicamente para isso, para “pagar os funcionários” do fundo. Portanto quanto mais trabalho para alcançar os resultados, maior pode ser a taxa de administração. Essa taxa é informada em percentual e ao ano na lâmina dos fundos, porém é provisionada diariamente e cobrada de fato, mensalmente. Quando o investidor visualiza o histórico de rentabilidade do fundo, essa rentabilidade demonstrada já está líquida da taxa de administração. Portanto é possível afirmar que a taxa de administração afeta a rentabilidade do fundo. 

Agora imagine que temos dois fundos: 

O fundo A, é um fundo passivo que busca entregar 100% do CDI. Portanto o gestor basicamente compra ativos que remunerem em média 100% do CDI. Atualmente esse retorno não é difícil de ser atingido, pois há diversos produtos de investimentos de renda fixa remunerando este mesmo percentual. 

O fundo B, é um fundo ativo que busca superar o índice Bovespa. Por ser um fundo de renda variável, existe maior dificuldade em superar o índice de referência. E por vezes o índice Bovespa já possui uma boa entrega, superar este índice torna-se ainda mais difícil.

Ambos os fundos possuem taxa de administração, porém o trabalho que há para o gestor do Fundo B conseguir atingir seu objetivo, é bastante superior ao trabalho que o gestor do Fundo A precisa realizar. É comum, portanto, que o Fundo B apresente uma taxa de administração maior.

Outra taxa que pode existir é a Taxa de Performance. Essa taxa é como se fosse a comissão do funcionário que conseguiu atingir sua meta no mês. Porém, nos fundos de investimentos, não basta superar o objetivo do fundo para que ela possa ser cobrada dos cotistas. É necessário que além de superar o objetivo do fundo, a cota esteja a um valor superior, do que a última vez que o fundo superou seu objetivo. Quando ocorrer isso, essa taxa é cobrada. Mas vale destacar que a taxa de performance é descontada da rentabilidade daquele mês, portanto se o gestor realizou um bom trabalho, além de haver essa remuneração para o gestor, o investidor também teve uma rentabilidade positiva, se beneficiando deste bom trabalho. 

Muito fala-se sobre a taxa de administração ou de performance ser ruim ao investidor, porém se o gestor apresenta uma gestão transparente, tenta mitigar os riscos para os cotistas, entrega uma performance condizente com seus objetivos com solidez e constância, este gestor está fazendo seu papel da melhor forma possível. São esses pontos que devem ser analisados ao realizar a escolha de um fundo de investimento. 

Tributação em fundos de investimentos

A tributação que incide nos fundos de investimentos varia de acordo com a classificação do fundo. Mas em todos os casos, a alíquota de imposto de renda irá incidir sobre a rentabilidade e no momento do resgate ou na cobrança do come-cotas. Essa é a primeira regra que você deve estar ciente.

A segunda regra, é em relação aos ativos que compõem o fundo de investimento, o que irá definir se esse fundo tem uma classificação de curto ou longo prazo. Caso o fundo tenha ativos com prazo médio igual ou inferior a 365 dias, o fundo é classificado como fundo de curto prazo. 

Já um fundo com uma carteira de investimentos que possui um prazo médio superior a 365 dias, sua classificação é dita a longo prazo. 

Portanto para o fundos de longo prazo, a alíquota de imposto de renda que irá incidir no momento do resgate do fundo, segue a seguinte regra:

Prazo de aplicação até 180 dias: 22,5% de alíquota

Prazo de aplicação de 181 a 360 dias: 20% de alíquota

Prazo de aplicação de 361 a 720 dias: 17,5% de alíquota

Acima de 720 dias: 15% de alíquota.

Os fundos de investimentos que são classificados como curto prazo, seguem a regra abaixo:

Prazo de aplicação até 180 dias: 22,5% de alíquota

Prazo de aplicação acima de 181 dias: 20% de alíquota.

Porém a toda regra existe uma exceção, e com os fundos de investimentos isso não é diferente. Já que os fundos de ações possuem uma alíquota fixa de 15% e não há incidência de come-cotas.

Inclusive, o que é o come-cotas?

Come-cotas é uma antecipação de imposto de renda, que acontece no último dia útil dos meses de maio e novembro, independente do investidor ter realizado algum resgate ou não. Para os fundos de longo prazo, a alíquota de come-cotas é 15% e para os fundos de curto prazo a alíquota é de 20%.

O fundo de forma automática realiza um resgate parcial, seguindo a alíquota mencionada acima para pagar o imposto devido, e quando o investidor realizar o resgate do fundo de investimento, a alíquota retida na fonte, será apenas a diferença do imposto devido, de acordo com o prazo da aplicação menos o imposto que já foi pago no come-cotas. 

Vale ainda mencionarmos que os fundos imobiliários possuem uma outra forma de tributação. Não existe come-cotas em FIIs, porém a alíquota sobre a valorização da cota no momento do resgate é de 20%. Em contrapartida, os proventos distribuídos pelos FIIs são isentos de imposto de renda para pessoa física.

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