Silicon Valley Bank – SVB
O Silicon Valley se tornou o 16º maior banco dos Estados Unidos em tamanho de ativos, atingindo mais de U$ 200 bilhões em ativos e U$ 175 bilhões em depósitos. Ele chegou nessa magnitude principalmente por conta das baixas taxas de juros nos Estados Unidos em conjunto com o crescimento acelerado do setor de tecnologia entre 2020 e 2021.
O banco foi fundado em 1983 e era um dos que tinha preferência por receber os depósitos das empresas do setor de tecnologia, além de ter muita exposição a startups que eram apoiadas por Venture Capitals.
O que levou o banco a falência
Com o aumento dos depósitos recebidos pelo SVB, a instituição comprou dois tipos de títulos de investimentos: os títulos emitidos pelo governo americano e os títulos privados de hipotecas.
Esses investimentos foram realizados em duas estratégias, uma estratégia em que há liquidez para os resgates dos títulos (Available For Sale ou AFS), e a outra estratégia em que os títulos devem ser levados até seu vencimento (Held to Maturity, ou HTM).
Os títulos que devem ser levados até o seu vencimento, sofrem com a marcação a mercado, porém não são marcados a mercado no balanço do banco. E a marcação a mercado é sentida, principalmente quando há elevação da taxa de juros.
Quando ocorre o aumento das taxas de juros, automaticamente os preços dos títulos HTM, ou seja, aqueles que devem ser levados até seu vencimento, começam a sofrer uma desvalorização.
Isso não seria um problema, caso não houvesse pedidos de resgates muito superiores ao que o SVB tinha para efetuar os pagamentos.
Portanto o que levou o banco à falência foi um conjunto de acontecimentos. Começando pelo aumento da taxa de juros nos Estados Unidos, que impactaram diretamente nos preços dos títulos HTM que o banco tinha elevada exposição.
Associado a isso, houve mau momento para empresas de tecnologia e startups, que devido à crise econômica e elevação da taxa de juros, viram uma redução de investimentos, como ocorria através dos investimentos de Venture Capital (VCs).
Em paralelo a essa redução de investimentos de Venture Capital, as startups voltadas para o setor de tecnologia, se viram na necessidade de queimar caixa, principalmente pela redução dos investimentos e redução no número de IPOs.
Isso gerou uma corrida de resgates no SVB, e o maior problema foi o Silicon Valley Bank ter um descasamento dos prazos dos seus títulos versus a sua necessidade de pagamento aos resgates, além da má gestão de riscos feita pelo banco.
Mas o grande estopim foi quando o banco anunciou um plano de aumento de capital, para cobrir um prejuízo de quase U$ 2 bilhões de dólares, devido a venda de títulos com prejuízos. Lembrando que esse prejuízo foi realizado devido a marcação a mercado dos títulos.
Isso acendeu um alerta no mercado e os clientes do banco começaram a pedir resgates dos recursos depositados. Ocasionando a falência do banco, que não conseguiu honrar com todos os pedidos de saques, pelos motivos já mencionados anteriormente.
Como isso impacta o Brasil
Diversos clientes do banco SVB, eram startups brasileiras, que recebiam parte dos seus investimentos de fundos de Venture Capital através das suas contas no Silicon Valley. Muitas dessas empresas não conseguiram retirar seus recursos do banco, antes de ser decretado falência.
Segundo informações da Bloomberg Línea, há empresas com mais de U$ 10 milhões de dólares depositados no banco, e embora tenham solicitado o resgate dos recursos antes da quebra do banco, não receberam os valores.
Como ocorreu muita especulação comparando a quebra do SVB com a crise de 2008, diversos bancos emitiram comunicados informando sobre sua capacidade de pagamento em casos de resgates, e sua não exposição no Silicon Valley Bank.
Algumas empresas brasileiras que emitiram esse comunicado, foram a Nubank, C6 Bank, Banco Inter e PagSeguro. Ambas as fintechs comunicaram que não possuíam nenhuma exposição ao SVB, o que trouxe tranquilidade para os brasileiros.
Em contrapartida, no Brasil também temos um cenário de incerteza fiscal e elevada taxa de juros, isso com certeza faz com que o cenário brasileiro se torne incerto em relação ao crescimento, inflação, taxa de juros e endividamento do governo.
Porém, caso o FED se posicione de forma a reduzir a sua taxa de juros, para abrandar uma possível crise regional nos bancos norte-americanos, pode ser que haja melhores condições para a taxa de juros no Brasil também ser reduzida no segundo semestre do ano de 2023. E foi exatamente o que o mercado precificou na curva de juros aqui no Brasil.
De qualquer forma, é importante lembrar que somos um país emergente, e qualquer impacto que ocorra em uma economia como a dos Estados Unidos, nós não estaremos ilesos de algum contágio. É importante acompanhar o que está acontecendo, pois mesmo que o FDIC (FGC dos Estados Unidos), tenha garantido que vai honrar com o pagamento de todos os valores, mesmo acima dos U$ 250 mil dólares, a quebra do Silicon Valley Bank, é sim um sinal para ficarmos alerta.
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