Quem é Javier Milei
Em 19 de novembro, Javier Milei emergiu vitorioso no segundo turno da eleição presidencial argentina, derrotando o então ministro da Economia, Sergio Massa, candidato governista. Líder do partido La Libertad Avanza e auto-intitulado “anarcocapitalista”, Milei é conhecido por suas ideias polêmicas, como a proposta de fechamento do Banco Central. Além disso, suas declarações controversas incluem uma interpretação peculiar da situação econômica argentina.
Antes de entrar para a política em 2021, Milei era comentarista televisivo e músico. Apesar de ser rotulado como um candidato de extrema-direita, surpreende ao adotar posições progressistas, como o apoio ao casamento gay. Sua trajetória inclui desafios financeiros na infância, tornando-se goleiro do Chacarita Juniors nas categorias de base, e posterior formação acadêmica em Economia.
Em 2017, Milei lançou o programa “Demoliendo Mitos”, marcando o início de sua incursão na política. Seu estilo provocativo atraiu atenção, levando-o a participar de programas de televisão de grande audiência. Ele foi eleito deputado federal em 2021, destacando-se por críticas intensas ao kirchnerismo e ao Juntos por el Cambio.
Na corrida presidencial, Milei surpreendeu ao vencer as primárias em agosto com 30% dos votos, superando as expectativas. Embora tenha ficado em segundo lugar no primeiro turno, conquistou a vitória decisiva na segunda etapa. Sua ascensão meteórica foi impulsionada por um discurso ultraliberal, incluindo propostas como a dolarização, privatização de estatais e cortes de gastos governamentais.
Seu plano econômico envolve redução de ministérios e ilustra sua abordagem com a expressão “poda” na administração pública. Milei, conhecido por suas posições e estratégias controversas, agora enfrenta o desafio de implementar suas propostas na presidência da Argentina.
Primeiras medidas de Milei
O novo ministro da Economia da Argentina, Luis Caputo, anunciou as primeiras medidas do plano econômico do governo, destacando a missão de evitar uma possível catástrofe. Em um pronunciamento gravado, Caputo abordou a necessidade de abordar as raízes dos problemas econômicos do país, destacando a dependência histórica do déficit. Ele enfatizou a oportunidade única de enfrentar esses desafios, reconhecendo a urgência da situação.
Dentre as medidas anunciadas, destacam-se a suspensão de licitações e a não renovação de contratos de trabalho com o governo com duração inferior a um ano. Além disso, Caputo mencionou cortes em subsídios de energia e transporte, bem como reduções nas transferências para as províncias. O governo também planeja reduzir o número de indicações políticas para cargos públicos, com uma redução significativa no número de secretarias federais e subsecretarias.
O ministro reforçou a necessidade de “achicar o Estado” (enxugar o governo), destacando a meta de reduzir as despesas em 5% do PIB no próximo ano para equilibrar as finanças públicas. Caputo também abordou a desvalorização do câmbio oficial, que passará a ser de 800 pesos por dólar, representando um aumento significativo em relação à cotação anterior.
As medidas visam conter a inflação, que já se aproxima dos 200% ao ano. Caputo ressaltou que algumas políticas sociais para a população mais carente serão mantidas e ampliadas como um amortecedor social contra a esperada disparada nos preços. Após o período de emergência, o governo planeja eliminar os controles do comércio externo.
Em uma mudança de direção em relação ao governo anterior, a Argentina retomará seu processo de ingresso à OCDE, conforme confirmado pela chanceler Diana Mondino. No entanto, a Argentina não buscará ingressar nos Brics ou fazer parte do Novo Banco de Desenvolvimento. O novo governo também iniciou negociações com a China para renovar os swaps cambiais, apesar de discursos anteriores contra a ditadura comunista.
Milei, após assumir, manteve uma reunião com o representante chinês, Wu Weihua, buscando ampliar o acordo já existente em US$ 5 bilhões, chegando a um potencial total de US$ 6,5 bilhões. Esses acordos são cruciais para evitar dificuldades na honra de importações e pagamentos da dívida com o FMI, dada a situação de reservas internacionais ‘negativas’ deixadas pelo governo anterior.
Viabilidade
Embora algumas das propostas — particularmente a reforma eleitoral — tenham o apoio de diferentes forças políticas, é provável que muitos dos 664 artigos do pacote de mudanças, acabem não sendo aprovados.
Isso porque embora Milei tenha vencido o segundo turno com quase 56% dos votos, no primeiro turno obteve apenas 30% e ficou em segundo lugar, 7 pontos atrás do kirchnerismo-peronismo, que tem maioria em ambas as Casas.
Com estes resultados, o A Liberdade Avança tem hoje cerca de 40 cadeiras na Câmara e apenas 7 no Senado — o que representa 15% de todo o Congresso.
O partido governista deverá ter apoio total da coligação de centro-direita Juntos pela Mudança, que chegou à beira da ruptura devido a discordâncias sobre a aliança com Milei.
Enquanto o Congresso debate o novo pacote em sessões extraordinárias convocadas por Milei até 31 de janeiro, teremos que esperar pelas sessões ordinárias, a partir de março, para saber como ficará o “decretaço”, caso ele não seja barrado antes pela Justiça.
Gostou do conteúdo? Sabia que temos muitos conteúdos em nosso Instagram? Clique aqui para conhecer!



